A performance do viver e o abandono de si


Há um cansaço que não faz barulho, mas ocupa tudo. Ele aparece no intervalo entre uma notificação e outra, na sensação de estar sempre conectado — e, ainda assim, profundamente só. A vida contemporânea nos ensinou a existir como vitrine: sorrimos, produzimos, mostramos. Mas raramente nos escutamos.

Romantizamos o esgotamento, transformamos ansiedade em produtividade e aprendemos a editar até a dor. Criamos versões “aceitáveis” de nós mesmos, encaixadas em padrões que prometem pertencimento, mas cobram autenticidade. E, nesse processo, algo essencial se perde: deixamos de ser quem somos para sustentar quem esperam que sejamos.

Hannah Arendt já alertava sobre o risco de uma vida sem reflexão. Hoje, seguimos roteiros prontos sem questionar o custo emocional dessa obediência silenciosa. Simone de Beauvoir nos lembrava que nos tornamos ao longo da vida — mas o que acontece quando esse “tornar-se” é capturado por ideais inalcançáveis? Há uma violência sutil em tentar caber onde não há espaço para a verdade.

Estamos cada vez mais conectados e cada vez menos presentes. O outro virou imagem, o encontro virou exceção. E, talvez mais doloroso, temos nos abandonado diariamente — adiando dores, ignorando sinais, nos deixando para depois.

Conceição Evaristo fala da importância de não nos apagarmos. Mas como sustentar a própria voz em meio a tanto ruído?

É nesse cenário que a saúde mental deixa de ser escolha e se torna urgência. E a psicoterapia emerge como um dos poucos espaços possíveis de reencontro: um lugar sem performance, onde é possível existir com verdade, reconhecer vulnerabilidades e reconstruir sentidos.

Cuidar de si não é se afastar do mundo — é voltar a ele com mais presença.

Se algo em você se move ao ler isso, talvez seja um sinal. A psicoterapia pode ser esse caminho de volta: ao que você sente, ao que você é, ao que ainda pode se tornar.

Luiza Mara da Silva Lima, psicóloga, te convida a esse encontro. Não com uma versão idealizada, mas com a sua própria verdade — aquela que, mesmo silenciosa, nunca deixou de existir.

Marque sua consulta: (31) 99102-5963

Saiba mais sobre a Casa Alecrim: https://sites.google.com/view/casaalecrimlagoasanta

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